19 de novembro de 2009

"Palavra, tenho que escolher a mais bonita para poder dizer coisas do coração"...

Canção do amor que chegou

Eu não sei, não sei dizer
Mas de repente essa alegria em mim
Alegria de viver
Que alegria de viver
E de ver tanta luz, tanto azul!
Quem jamais poderia supor
Que de um mundo que era tão triste e sem cor
Brotaria essa flor inocente
Chegaria esse amor de repente
E o que era somente um vazio sem fim
Se encheria de cores assim


Coração, põe-te a cantar
Canta o poema da primavera em flor
É o amor, o amor chegou
Chegou enfim
(in Poesia completa e prosa: "Cancioneiro"
Vinícius de Moraes)





Poeminha Amoroso


[...] E eu,
quero te servir a poesia
numa concha azul do mar
ou numa cesta de flores do campo.
Talvez tu possas entender o meu amor...
(Cora Coralina)




Mais e menos

Afinidade acontece.

Um mesmo signo, um mesmo par de

sapatos caramelo, um mesmo livro de cabeceira.

Afinidade acontece entre seres humanos.

A mesma frase
dita ao mesmo tempo, o diálogo mudo dos olhares e a
certeza das semelhanças entre o que se canta e o que se escreve.

Afinação acontece.

Um mesmo acorde, um
mesmo som, uma mesma harmonia.

Afinação acontece entre
instrumentos musicais.
A mesma nota repetidas vezes, a
busca pela perfeição sonora
e a certeza das
similaridades entre um tom acima e um tom abaixo.

A
incrível mágica acontece quando os instrumentos musicais descobrem afinidades humanas entre si no mesmo instante em que os seres humanos descobrem afinações musicais dentro deles mesmos.




Dentro do meu peito de brinquedo
Bate um coração sem medo
Que te pede, que te diz
Deixa eu entrar na tua dança
Que uma história de criança
Tem que ter final feliz
(Renato Braz)




Fonte das ilustrações: http://historiasencantar.blogspot.com/